Marjorie Estiano chamou atenção nas redes sociais ao aparecer com braços e costas definidos nas cenas de 'Habeas Corpus', nova série da Netflix. Aos 44 anos, a atriz recebeu elogios pelo físico e despertou curiosidade sobre os hábitos que mantém para chegar a esse resultado.
Em suas redes sociais, a atriz contou que modificou sua relação com atividade física e alimentação nos últimos anos, além de ter se tornado flexitariana e reduzido significativamente o consumo de carne. A repercussão, porém, também levanta uma dúvida muito comum: por que algumas pessoas conseguem definir os braços com facilidade enquanto outras continuam percebendo a flacidez mesmo quando treinam?
A resposta para esse questionamento vai muito além da musculação, já que a aparência da região depende de fatores como quantidade e distribuição de gordura, massa muscular, qualidade da pele, produção de colágeno e elastina, idade, genética e histórico de emagrecimento.
O dermatologista Dr. Gustavo Saczk, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), explica que músculos e pele respondem de maneiras diferentes aos cuidados.
"Com o envelhecimento, a pele perde gradualmente colágeno, elastina e parte da capacidade de sustentação. Isso pode favorecer a flacidez mesmo em pessoas que praticam atividade física regularmente. Por isso, quando observamos um braço definido, existe uma combinação entre musculatura, composição corporal e qualidade dos tecidos. Uma pessoa pode ter músculos desenvolvidos e ainda apresentar algum grau de flacidez na pele", explica.
A musculação pode contribuir para o contorno dos braços ao desenvolver bíceps, tríceps e ombros, mas não atua diretamente sobre a capacidade de sustentação da pele. Por isso, a presença de músculos mais aparentes não significa necessariamente que a região esteja livre de flacidez.
Quando a principal queixa está relacionada à qualidade da pele, alguns tratamentos podem ser considerados após avaliação médica: "Podemos utilizar bioestimuladores de colágeno corporal em regiões como a face interna dos braços, especialmente quando existe flacidez leve ou moderada. Esses tratamentos estimulam a produção de colágeno e podem melhorar a firmeza e a qualidade da pele. A indicação, entretanto, precisa ser individualizada e depende do grau de flacidez e das características de cada paciente".
O especialista ressalta que procedimentos e atividade física têm objetivos diferentes e podem, em determinadas situações, ser complementares.
"O exercício atua principalmente sobre a musculatura e a composição corporal. Já os tratamentos dermatológicos podem atuar sobre a qualidade e a firmeza da pele. São estratégias diferentes e, em alguns casos, podem ser complementares. Nenhum procedimento estético substitui a atividade física quando o objetivo é desenvolver musculatura", diz o médico.
Também é necessário entender se a queixa é realmente de flacidez ou se existe excesso de pele. Essa diferença é especialmente importante para pessoas que passaram por grandes emagrecimentos.
"Precisamos identificar o que realmente está causando a alteração do contorno corporal. Em alguns pacientes, a combinação entre redução de gordura e ganho de massa muscular pode produzir uma transformação importante. Em outros, existe um excesso significativo de pele, que não será eliminado apenas com exercícios ou tratamentos não cirúrgicos", explica a cirurgiã plástica Dra. Alessandra Martinelli.
Quando há uma quantidade maior de tecido excedente, principalmente após grandes perdas de peso, a cirurgia pode ser considerada: "A cirurgia permite retirar o tecido excedente e redefinir o contorno da região. Já nos casos de flacidez mais leve, podemos avaliar alternativas menos invasivas, dependendo da qualidade da pele e da expectativa do paciente".
Segundo Alessandra, também existem tecnologias voltadas à retração dos tecidos e ao estímulo de colágeno que podem ser indicadas para determinados pacientes: "Elas podem ser utilizadas isoladamente em casos selecionados ou associadas a procedimentos cirúrgicos para potencializar determinados resultados. Mas é importante deixar claro que tecnologia não substitui uma cirurgia quando existe uma quantidade significativa de pele excedente", explica.
A especialista ainda faz uma ressalva diante da repercussão das imagens de Marjorie Estiano: "O corpo de uma celebridade não deve ser utilizado como parâmetro para determinar qual resultado é considerado ideal. Cada pessoa possui uma estrutura corporal, uma qualidade de pele e uma distribuição de gordura diferentes. A avaliação médica serve justamente para entender o que é possível alcançar com segurança e qual tratamento faz sentido para cada caso", encerra.